Entendendo um pouco sobre o “Sono” e os seus estágios

Como já aprendemos com os nossos avós e nossos pais, dormir é muito importante. Não só nossos pais sabiam disso mas ao longo dos anos a ciência através de estudos vem comprovando a eficácia de uma noite de sono bem dormida. Ao contrário do que muitos pensam, o cérebro não se desliga durante o sono, mas está em constante funcionamento conforme comprovam estudos feitos utilizando pacientes dormindo conectados em tempo real à um EEG (eletroencefalograma). Interessantemente o eletroencefalograma apresenta diferentes atividades dependendo em que estágio do sono a pessoa se encontra. Estágios do sono? Sim, há diferentes estágios no processo do sono, e as alterações começam a ocorrer desde o momento em que começamos a nos sentir sonolentos. Estas alterações ocorrem fisiologicamente e alteram também variáveis como o tônus muscular e também a função cardiorrespiratória. (através da liberação de alguns neurotransmissores e da inibição de outros). Também há de se lembrar que diversos fatores ambientais (como a variação na luminosidade e dos sons ao redor do indivíduo, sendo também a temperatura um fator importante), alteram o desenvolvimento dos estágios do sono, facilitando ou dificultando os diferentes estágios deste ciclo. Antes de começarmos a esclarecer um pouco mais os estágios do sono, é importante lembrar que também possuímos um estágio mental que corresponde aos momentos em que estamos acordados e despertos, sendo este estágio chamado de vigília. Portanto ou estamos acordados (estado de vigília) ou estamos dormindo (ciclo do sono), sendo que estes dois estágios antagonistas correspondem ao que chamamos de ciclo circadiano.

Neurofisiologia do Sono e da Vigília

O nosso estado de vigília é diretamente relacionado ao funcionamento do SARA (Sistema Ativador Reticular Ascendente) que localiza-se no núcleo supraquiasmático, que por sua vez encontra-se no hipotálamo. Esse sistema funciona com diversos neurotransmissores excitatórios que além de excitar e aumentar a atividade cerebral, também diminuem a atividade de neurotransmissores inibitórios como o GABA. Os principais neurotransmissores excitatórios que funcionam com esse sistema são a noradrenalina (originada no locus cerulus), a dopamina (originada na área tegmental ventral), a serotonina (originada no núcleo da rafe) e a acetilcolina. A ação desses neurotransmissores mantém o cérebro funcionando em estágio de vigília.

Já no sono, há uma maior atividade do sistema gabaérgico que funciona inibindo a atividade cerebral, além de inibir e modular o funcionamento do sistema SARA mencionado anteriormente. Um hormônio importante na indução do sono é a melatonina produzida pela glândula pineal. Ao haver uma diminuição da luminosidade há uma maior produção de melatonina, induzindo ao sono, influenciando assim diretamente no ciclo circadiano. Outro neurotransmissor importante neste processo é a adenosina que ao longo do estágio de vigília vai se acumulando nas vias sinápticas, aumentando a sensação de cansaço ao longo do dia, assim estimulando também a atividade gabaérgica. Uma pequena curiosidade: É nessa pequena brecha que a cafeína presente no café e em outros produtos acaba por fazer efeito ao combater o sono e o cansaço. O café influencia o sistema de vigília ao se ligar aos receptores de adenosina, inibindo temporariamente o seu funcionamento, tendo como consequência um aumento na disponibilidade das catecolaminas como a dopamina e a noradrenalina e uma diminuição de adenosina nas vias sinápticas, também influenciando os níveis do neurotransmissor GABA no cérebro.

Os 5 estágios do sono

Apenas para recapitular, sabe-se que há 5 diferentes estágios do sono justamente por haverem padrões diferentes que aparecem no EEG durante o sono. O cérebro acaba por apresentar uma atividade de diferentes ondas conforme o sono profundo vai se estabelecendo.

Estágio 1: Há diminuição das ondas alfa. Neste estágio do sono o indivíduo é facilmente desperto por estímulos, sendo este o estágio mais superficial do sono. É nesse estágio que ocorre uma maior atividade do sistema GABA.

Estágio 2: As ondas alfas começam a serem substituídas por ondas aleatórias no EEG, havendo uma diminuição da sensibilidade para o despertar.

Estágio 3: Começa a haver o predomínio de ondas delta e teta enquanto o indivíduo vai entrando em sono mais profundo, diminuindo mais ainda a sensibilidade para o despertar.

Estágio 4: Neste estágio do sono há um predomínio definitivo de ondas teta e delta, porém, com o aumento acentuado de ondas delta. Neste estágio do sono o indivíduo apenas é desperto através de estímulos vigorosos.

Estágio 5 (Sono REM): Este se caracteriza como o estágio mais profundo do sono. No EEG esse estágio do sono possui atividade parecida com o estado de vigília, por isso também é chamado de sono paradoxal, pois interessantemente no período em que o indivíduo está mais profundamente adormecido há atividades cerebrais parecidas com as que acontecem quando o indivíduo está completamente desperto. É particularmente neste estágio do sono em que o indivíduo sonha. Este estágio tem duração de aproximadamente 10 minutos e se repete mais de uma vez durante o sono. Ocorrem movimentações rápidas do globo ocular (REM: Rapid Eyes Movements) enquanto o indivíduo dorme.

ILUSTRAÇÃO DOS ESTÁGIOS DO SONO

O sono REM é considerado um dos estágios mais importantes para uma boa noite de descanso. Agora que está explicado como o nosso cérebro funciona nos diferentes estágios enquanto dormimos, é possível compreender a importância de uma noite de sono produtiva com muitos sonhos.

Créditos da imagem utilizada: http://www.psicologiamsn.com/2011/12/ciclos-do-sono.html

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